A SAGA

Nosso novo Oeste

  • Forte como a soja e outros grãos
    da riqueza local, um pólo de
    produção cinematográfica surge em
    Cascavel, no Oeste paranaense

  • LENA FRIAS

    Cascavel, no Oeste paranaense, a 600 quilômetros de Curitiba, é uma cidade de pouco menos de 300 mil habitantes que, em apenas 46 anos de existência, alcançou um nível invejável: tem universidade, um sistema hospitalar competente, bons hotéis, museus, bibliotecas, um parque tecnológico de primeiro mundo e centros de excelência de pesquisa em avicultura e agropecuária. Anualmente, recebe 150 mil visitantes para suas mostras de eficácia no desenvolvimento da soja e outros grãos. É também o epicentro da futura ligação Atlântico-Pacífico, que unirá os portos de Paranaguá e Angostura, no Chile.

    Com o justo orgulho de enumerar tão vistosos itens de progresso, o pessoal da terra acrescenta agora mais um: Cascavel, que já realiza um prestigiado festival de cinema, começa também a se destacar no cenário brasileiro como pólo de produção cinematográfica. Já tem até duas cidades cenográficas montadas para o longa A saga - Da terra vermelha brotou o sangue, produzido e bancado no seu custo de 400 mil reais pela TV Tarobá, afiliada da Bandeirantes, mas envolvida em alguns dos grandes projetos da TV Globo, entre eles, o carnaval carioca.

    Dirigido por Manaoos Aristides e com uma belíssima fotografia, A saga - que tem também uma versão em minissérie de seis capítulos para a televisão - relata em tom de epopéia o desbravamento do Oeste do Paraná, as origens distantes de Cascavel e as histórias de seus pioneiros fundadores. A produção envolveu 600 pessoas. Apesar de recém-lançado, o filme já foi assistido por mais de 30 mil pessoas no Oeste e no Sudoeste do Paraná, batendo o recorde de Titanic na região, que foi de 25 mil espectadores.

    O filme de Manaoos Aristides - que tem três horas e meia de duração e grande número de atores, todos paranaenses - exemplifica a vocação para o cinema que Cascavel vem revelando nos últimos anos. Participa da fita a dupla de atores-produtores Talício Sirino e Salete Machado, da Tigre Produções Cinematográficas, que em quatro anos produziu cinco títulos, incluindo A saga, e se vem especializando em filmes de ação. Há outras produtoras em atividade, entre elas a Filmacir - que no ano passado fez a comédia Chuva de linguiça, na linha de humor do paulista Mazzaropi, já disponível em vídeo - e a Sanderson filmes. Outros títulos produzidos na cidade são 1924 - bendita revolução, que reconstitui a passagem pela região da Coluna Prestes, e Adeus, Mariana, dotados de certificados de qualidade em festivais nacionais. Confiante na inclinação da cidade para o cinema, Salete agora se lança como exibidora: no próximo dia 25 inaugura, com A saga, o Cine Cascavel, uma sala com 180 lugares. "Vamos reservar uma semana em cada mês para um ciclo de cinema nacional, com a presença de produtores, diretores e atores. A primeira será em dezembro, com o filme , de Ricardo Dias".

    A história da produção cinematográfica na cidade começou em 82, quando a Cooperativa Agropecuária de Cascavel decidiu investir na produção de documentários técnicos e jornalísticos. Cascavel tomou gosto pela arte e agora já parte para a constituição de uma Fundação Paranaense Gralha Azul Filmes que, de acordo com o secretário municipal de Cultura, Luiz Ernesto Pereira, "será tão importante para o cinema local quanto a Embrafilme foi para o país nos anos 70. Estamos iniciando os anos de ouro do cinema em Cascavel".

    Talício Sirino é apaixonado por cinema."Quando menino eu limpava o Cine Itambé, na cidade onde nasci, a 300 quilômetros de Cascavel. O cinema nem existe mais, virou uma igreja. Mas eu era fascinado, assistia a todos os filmes e sonhava em me tornar um dia um artista de cinema. Então fui me preparando para isso, procurando os caminhos que me aproximavam do meu ideal." Enquanto o sonho não chegava, Talício, já residente em Cascavel, entregou-se a outro interesse: as artes marciais. É faixa preta em diversas modalidades. O resultado é que, quando chegou a hora do cinema, associou as duas coisas: passou a produzir e estrelar - de modo geral como vilão - filmes de ação. E contribuiu para fazer de Cascavel o único núcleo brasileiro de cinema nessa modalidade. Talício Sirino e Salete, marido e mulher, já realizaram, no gênero, Acerto final, de 93, Fronteira sem destino, de 95, classificado entre as sete melhores produções do Festival de Brasília, e A filha do chefe. Produzem, no momento, o policial Conexão Brasil, dirigido pelo premiado cineasta Luiz Carlos Lacerda, o Bigode, co-autor do roteiro. O filme - que conta uma história baseada nas ações dos policiais de elite do grupo Tigre, da Secretaria de Segurança do Paraná - traz Talício num raro papel de mocinho: é o ex-detetive Franco, que se vê envolvido num caso de seqüestro. Conexão Brasil está sendo rodado em Cascavel, Foz do Iguaçu, Curitiba, Missiones, na Argentina, e Cidade do Leste, no Paraguai, numa parceria entre a Tigre Produções Cinematográficas, a Quanta Produções, de São Paulo, a Funarte, que entrou com equipamentos e a Secretaria de Cultura de Missiones. Conta ainda com o apoio da Secretaria de Cultura do Paraná.

    [Domingo, 14 de novembro de 1999 - JORNAL DO BRASIL - Rio de Janeiro - Rj - Caderno B - Lena Frias

     

    Cascavel é a nova capital do cinema

    O pólo de cinema era um antigo sonho do empresário Marcos Formighieri, e foi idealizado pelo ministro da Cultura Francisco Weffort

    Estela Zardo

    DA REDAÇÃO

    Cascavel - A visita do ministro de Estado da Cultura, Francisco Weffort, garantiu, neste final de semana, a instalação do Pólo Cinematográfico de Cascavel, idelalizado pelo empresário Marcos Formighieri. O ministro garantiu que apoiará no que for preciso o desenvolvimento do Pólo que está surgindo no Oeste do Paraná. Na visita a Cascavel, Weffort aceitou a nomeação de sócio benemérito do Instituto Paranaense Gralha Azul Filmes, que terá como principal meta, o fomento à atividade.

    A primeira diretoria da entidade de apoio formal ao desenvolvimento da indústria cinematográfica tem o presidente da Acic, Álvaro Largura e o ex-secretário de Cultura, Luís Ernesto Meyer Pereira, na presidência. O estatuto da instituição foi aprovado na última quarta-feira, em assembléia na Associação Comercial e Industrial de Cascavel (Acic).

    Entre os objetivos do instituto, estão o engrandecimento da cultura cinematográfica em todo o Paraná através de palestras, debates, cursos e outras atividades, interação com a sociedade neste segmento cultural, auxiliando e incentivando a elaboração de filmes de toda a espécie, eventos publicitários e parcerias.

    Além disso, o instituto deve promover e incentivar a criação de escolas de atores, cursos destinados ao pessoal operacional e instituição e premiação anual através do "Prêmio Gralha Azul" para atividades cinematográficas.

    Indústria de sonhos

    O diretor e roteirista cinematográfico Manaoos Aristides (que dirigiu o filme "A Saga"), afirma que Cascavel já possui profissionais atuando na área, justificando a instalação de uma indústria de cinema. "A Saga reuniu, durante a exibição em toda a região Oeste, mais de 35 mil pagantes, superando inclusive o Titanic", salienta. Em Curitiba, a exibição para jornalistas convidados rendeu reportagens de página inteira em jornais de circulação nacional, como o "Jornal do Brasil" e "Gazeta Mercantil".

    Manaoos acrescenta que, desde que foi inaugurado – em abril deste ano – o site do filme na Internet (www.asaga.com.br) já recebeu mais de mil pessoas, até outubro. "E jamais fizemos qualquer divulgação do endereço", frisa.

    Em dez anos, Cascavel foi responsável pela produção de sete filmes, entre eles "A Saga" e "Acerto Final". "Curitiba fez, há poucos meses, o primeiro filme do qual temos notícia ("Oaristos")", compara Manaoos, garantindo que Cascavel já é um pólo de produção e de eventos, e está "a um passo de se tornar um pólo de dramaturgia".

    Vera Cruz

    Cascavel pode vir a se tornar uma nova versão da Vera Cruz, estúdio responsável pelos maiores clássicos do cinema brasileiro. "Mas não acredito que acabe como a Vera Cruz. Naquela época, os filmes eram feitos por grandes produções e empresas, e concorriam com o cinema estrangeiro. A fase agora, é de realização de filmes através de pequenas produtoras e estúdios independentes. Os nossos filmes concorrem com as produções nacionais, não com o cinema americano ou europeu", avalia.

    A criação de instituições cinematográficas e de benefícios para que tais instituições sejam instaladas em Cascavel devem ser a tônica nos próximos anos. "As estatais precisam destinar incentivos à arte, como por exemplo, isenção de impostos", comenta.

    Manaoos acredita que o futuro do cinema, não apenas em Cascavel, deverá ser a realização de filmes bons e de apelo popular. "Estamos formando um público, com "A Saga", que envolve toda a região. As produções cascavelenses resgatam o passado histórico da região, e por isso estão formando público", explica.

    Ele salienta que este é o caminho (resgate da história) que deverão seguir as produções nacionais. Manaoos frisa que o brasileiro sempre aplaudiu as grandes histórias americanas, porque não tinham nem mesmo pequenas histórias para contar a respeito do passado. "Isso deve mudar. Já descobrimos que temos o que contar e valorizar".

    Cinema, TV e vídeo

    A TV Tarobá irá apresentar o filme "A Saga" em formato de minissérie, a partir do dia 8 de dezembro (quarta-feira), depois do programa H, às 22 horas. O filme já está sendo comercializado, também em VHS, através do site na Internet, pelo preço de R$ 70. O roteiro está sendo vendido a R$ 15.

    A emissora já havia transmitido, em 1994, o filme – também da Tigre Produções – "Acerto Final". A decisão de transmitir também "A Saga" consolida a emissora como incentivadora da Sétima Arte no Município.

     

    A Saga na Mídia

     


  • FOLHA DE LONDRINA - Cascavel quer ser pólo oficial de cinema
  • "A Saga"reconstituiu momentos históricos do desbravamento da própia região Oeste."Uma história tão ou mais bonita quanto as do Oeste Americano, que nós brasileiros cansamos de ouvir...

     

    Sinopse da Saga

    A nossa história começa em 1917, quando a personagem que aqui vamos denominar de Audálio dos Anjos, um rapaz de quatorze anos de idade, é preso pelos guardas da fronteira Brasil/Paraguai, na Colônia Militar de Foz do Iguaçu. Audálio dos Anjos diz aos guardas da fronteira que é órfão e veio do sul do país, fronteira com o Uruguai, razão de seu leve sotaque espanhol. Está sem dinheiro, sem mala, sem registro de nascimento e com muito medo.Os guardas o mantém preso. Discutem entre si, para entregá-lo aos homens da empresa argentina "Júlio T. Allica", que emprega os paraguaios na empreitada da extração de erva-mate. A "Júlio T. Allica" mantém grupos de trabalho nas matas, em sistema de semi-escravidão, e para mantê-los no trabalho, possui um pequeno exército de homens armados, chamados de "comissiones". Audálio dos Anjos consegue convencer o chefe do posto fiscal de sua cidadania brasileira, mas acontece uma tragédia: um atentado a tiros mata o militar. Audálio foge para mata, deixando o porto da Colônia Militar de Foz do Iguaçu, motivado ainda pelo medo de ser preso novamente. Entra na mata e descobre a trilha que liga a Colônia Militar de Foz a Guarapuava. Nesta jornada, depara-se várias vezes com os "comissiones" e com animais selvagens da região, sempre se escondendo. Quando já não tem mais forças para andar, consequência da fome de vários dias, é encontrado por um cabloco e uma índia velha que estão na mata. Ao encontrar a selvagem, Audálio desmaia. Sem sentidos, é levado pela índia para seu casebre. Nos dias seguintes, ele dorme e delira de febre. Ao amanhecer do terceiro dia, já refeito do medo e da fome, depois de comer um pedaço de carne-seca e um mamão inteiro, juntamente com uma paçoca de carne. Descobre que está num lugar chamado Itaporã, no casebre de um cabloco chamado Benedito Modesto, que carrega um enfeite indígena no pescoço (patuá) e vive com uma velha índia, chamada Maria da Conceição. O relacionamento é difícil. A velha índia não fala nada de português. O cabloco só sabe falar de caçada de onça. Audálio dá uma faca de presente para a índia. Benedito é como uma criança que, para dormir, ainda mama no peito murcho da velha índia. Os dias passam, e Audálio entra no jogo do cabloco. Um dia vão pescar, outro dia vão caçar, sempre comportando-se como crianças. Um dia, inclusive, estão os dois a fazer suas

    necessidades e um começa a atirar as fezes no outro com um pedaço de galho. Esta atitude vira uma verdadeira "guerra de bosta". A velha índia vê aquilo tudo e sente ciúme daquele relacionamento maluco. Começa a se desenhar um atrito naquele relacionamento triangular. Certa tarde, os dois estão tentando pegar um porco no chiqueiro, e começa uma verdadeira luta corporal no meio da lama. Aparece a índia, que com um pedaço de pau na mão acerta uma paulada na cabeça de Benedito. Audálio, assustado, sai correndo. Na fuga, passa pelo casebre, pega um bornal (um saco feito de brim) com uma garrafa de mel, uma porção de farofa de carne, um pedaço de charque e um canivete que ganhou do cabloco. Segue seu caminho de viagem para Guarapuava. Andando pela mata, encontra os jagunços dos "comissiones". Os argentinos carregam cincos homens amarrados. Depois de vários dias de caminhada, já com os pés todos feridos pelos espinhos e pedras do caminho, Audálio chega a um povoado, onde um comerciante lhe propõe ajuda. Ele lhe conta toda a sua aventura. O comerciante o aconselha a procurar emprego, junto aos feitores de obras de uma estrada que está sendo construída. O engenheiro Francisco Matel de Camargo lhe dá emprego. Seu chefe direto fica sendo o feitor Alípio de Souza Leal. Sua obrigação é de abrir a picada, entregar água para os operários que trabalham na derrubada de árvores e, de vez em quando, fazer alguns curativos em quem se machuca. A essa altura, criam amizade pelo jovem. O trabalho na estrada é pesado para Audálio e, não demora, o jovem é picado por uma cobra, ficando doente, com uma febre forte. Um dia acorda suando, tendo visões. Uma das visões é uma garota de olhos verdes que, delicadamente, enxuga sua testa com um lenço, e diz: "Se eu crescer com saúde, e um dia for ter um filho, quero que você seja o pai". Depois de um longo tempo de cama na barraca de campanha, magro e fraco, mas já recuperado, o próprio chefe, Alípio de Souza Leal, acha melhor transferi-lo para trabalhar em outro lugar. O engenheiro Francisco Matel de Camargo, percebendo a inteligência do rapaz, fica com vontade de colocá-lo para fazer as escritas dos negócios que

    envolvem sua "Fazenda Murilo" e os estabelecimentos comerciais da Colônia Mallet (Laranjeiras do Sul). Tempos depois, Audálio encontra uma família que está vindo em uma carroça. Laura, então uma menina de olhos verdes, vendo Audálio e Tonho, que estavam tomando banho nus num lago próximo a sede da fazenda, sorri maliciosamente, e o pai tenta impedir as crianças de ver os rapazes naquela situação. O susto não o deixa lembrar que a menina é a mesma de sua visão. Mas o tempo passa, e a garota, já alojada no acampamento, começa a flertar com Audálio. O aprendiz de capataz deixa as obras da estrada, sendo transferido para a povoado Colônia Mallet, onde administra os negócios de extração de erva-mate e madeira do engenheiro Francisco Matel de Camargo. Já com a idade de vinte e um anos, Audálio dos Anjos pretende voar sozinho. Deixa o seu protetor e vai militar, politicamente, nas Forças Legalistas. Não chega a pegar em armas, porém é peça importante na rendição dos revolucionários paulistas, em Catanduvas. Passa o tempo, e Audálio dos Anjos se especializa em atender a todos os que precisam de orientação contábil. Um dia, em Guarapuava, num lugarejo chamado Pouso Alegre, orientando uma senhora viúva a fazer o seu inventário, acaba conhecendo o tropeiro e comerciante José Silvério de Oliveira, o Nhô Jeca, figura marcante, que chega dirigindo um Ford 1929, seguido por vários homens montados a cavalo e burro. Pretende adquirir o estabelecimento comercial da viúva. Nasce, ali, uma grande amizade. José Silvério de Oliveira convida Audálio dos Anjos a se estabelecer num lugar conhecido como Encruzilhada (Cascavel). A crise da erva-mate chega. Audálio dos Anjos procura estabelecer, na região, a extração de madeira. Com a fixação de José Silvério de Oliveira na Encruzilhada, em 28 de março de 1930, inicia-se a chegada de colonos catarinenses, entre eles, filhos de poloneses, que abrem o caminho a facão, para facilitar a passagem dos carroções. Audálio dos Anjos passa a receber todos os colonos. Existe falta de tudo: remédio, comida, casa, etc. A desavença toma conta da situação. Numa briga entre dois homens, o confronto é interrompido pelos gritos de uma mulher que está dando à luz num carroção, no meio do barro vermelho. De repente, todos que estão envolvidos pela briga vão em direção à mulher, que chora de dor. A situação se transforma num clima de paz, harmonia e colaboração pela criança que está nascendo. Com uma parteira em ação, bem rudimentar e em pleno lamaçal, a criança nasce e todos levantam os olhos ao céu, rezando uma estranha oração em "polaco". O pai da criança a levanta, mostrando a todos que ela está chorando, e é um belo menino, ainda todo sujo de sangue. Ainda com a criança nos braços, e como se agradecesse a Deus, a levanta em direção ao céu, como se a oferecesse ao Senhor Criador. Entre as pessoas presentes está um homem grandalhão, filho de poloneses, que acaba de chegar de Canoinhas - Santa Catarina. Este polaco chama-se Jacob Munhak. Um casal procura Audálio porque sua filha, uma menina de dez anos, é raptada por um bugre, na região do rio Cascavel. Nhô Jeca e Audálio resolvem formar uma comitiva para entrar no mato, a fim de procurar a menina. Após vários dias de procura, encontram a menina, e matam o índio com um tiro só. Audálio descobre que o índio q

    ue havia roubado a menina é seu antigo amigo Benedito Modesto, que morava com a índia velha. A menina é recuperada, porém está com os dois olhos furados. É uma festa o retorno da comitiva à vila. Padre Luise luta para mudar o nome da vila de Encruzilhada da Cascavel para Porto de Aparecida. A Encruzilhada já começa a ser um pequeno povoado. Audálio dos Anjos e José Silveira de Oliveira começam a organizar os colonos que, na maioria, chegam de Canoinhas, de Santa Catarina e da região do Rio Grande do Sul. O trabalho é cadastrar quem chega, e distribuir as terras que podem ser plantadas. Audálio e José Silvério de Oliveira dão início à organização de uma vila, ou seja, assumem a responsabilidade de manter os colonos unidos. Na preparação de uma comunidade ordeira, começam a distribuir cargos e responsabilidades entre os moradores, atitude esta que, muitas vezes, leva a confrontos com os jagunços que circulam pela região. Estes jagunços, normalmente, são contratados pelos próprios moradores da comunidade, para intimidar os colonos que já possuem terras e nelas estão trabalhando, principalmente se estas terras estão numa boa localidade e os posseiros ainda não tenham adquirido a legalização definitiva. Vários nomes são dados à localidade. Os religiosos querem que seja Aparecida dos Portos, pois a vila tem como padroeira Nossa Senhora Aparecida. A maioria dos colonos bate o pé para que o nome seja Encruzilhada da Cascavel. Com o tempo, prevalece Vila de Cascavel. Os bugres (índios Caigangues) são os habitantes nativos da região e, muitas vezes, se confrontam com os colonos, sempre acarretando mortes de ambos os lados, sendo que em maior número no lado dos índios. Audálio dos Anjos e Silvério resolvem que a vila já está precisando possuir alguns órgãos para controlar e proteger a população, oferecendo algum benefício comunitário. Começam a delimitar algumas áreas para a construção de praças, ruas, igrejas e o novo aeroporto. Num domingo, na igreja, um pistoleiro profissional atira num casal, no meio de uma multidão. Audálio corre para buscar o médico, Dr. Brasil, que vive bêbado e não sai da "zona". O casal morre, e o clima de confronto entre jagunços e colonos fica cada vez mais freqüente. Famílias inteiras são mortas por causa de terras adquiridas. Audálio e Silvério entram na política. É impossível controlar, politicamente, a população, sem um cargo legítimo. Audálio é o candidato majoritário. No clima quente da boca de urna, no trabalho de buscar eleitores para votar, Audálio esquece de votar. Então, na apuração, o inusitado acontece. O resultado dá, literalmente, empate: quatrocentos e noventa e três votos para cada um dos dois únicos concorrentes. Só que, de acordo com a Constituição Municipal, o candidato mais velho assume o cargo pretendido. Este não é Audálio, mais novo que seu adversário, Samuel Bernardes. Cascavel ainda vive os conflitos de terra. Os assassinatos continuam, e os jagunços começam a criar um centro de morte e medo. Cascavel vira sinônimo de terra-de-ninguém. Somente na década de 80, Cascavel entra para o círculo de cidade ordeira e um dos mais progressistas municípios do Estado do Paraná. Passa a ser o maior centro produtor de grãos do hemisfério sul. Audálio morre do coração em agosto de 1964, deixando viúva e um casal de filhos, ambos professores, que vivem até hoje em Cascavel. Nhô Jeca (José Silvério de Oliveira) morre no dia 31 de dezembro de 1966.

    Autor : Manaoos Aristides Fone 045 225-47-18 - Cl. 045 971-61-44 Rua São Paulo, 645 - ap. 301 Cascavel Pr - CEP 85.806-020

    Elenco


    Roteiro e Direção: Manaoos Aristides
    Diretor de Produção: Talício Sirino
    Coordenação de Produção: Salete Machado
    Diretor de Operações: Élcio Domingos
    Produtor: Adilson Girardi
    Diretor de Fotografia: Sebastian Porto
    Diretor Musical: Artur de Carvalho
    Músicos convidados:

    Assistente de Produção & Pesquisa: Wellington Oliveira
    Diretor de Arte & Cenografia: Nelson Josefi
    Cenógrafos:

    Artesão de Cena: Alzério da Silva
    Diretora de Figurino: Bety Capponi
    Maquiagem:

    Operador de Câmara: Marcelo Dona
    Operador de Steadicam: Ireneu Souza
    Operador de Áudio:

    Som Direto: Xenon
    Auxiliar Técnico:

    Técnico: Ilson Guilherme
    Diretor de Atores: Luís Carlos Castelhano
    Direção de Computação Gráfica: Clairo Pereira
    Computação Gráfica: Fábio Taborda
    Diretor de Criação e Sonoplastia: Marlon Garcia
    Edição: Alberto França
    Historiador: Bibiano Oliveira
    Foto Still : César Pilatti
    Efeitos Especiais:

    Efeito Especiais de tiro: Ronivaldo Fagundes
    Direção Geral: Jorge Luiz Guirado
    AUDÁLIO (menino) : DANIEL LANGE
    AUDÁLIO (rapaz) : ADILSON GIRARDI
    AUDÁLIO (adulto) : JOÃO VITTI
    NHÔ JECA : RAIMUNDO DENY DE SOUZA
    PADRE GERMANO : VALDIR FERNANDES
    ANTÔNIO : DANILO FARO
    DR. BRASIL : HÉLIO ZACHI
    BARQUEIRO # 1 : GIVALDO OLIVEIRA
    BARQUEIRO # 2 : LEOMAR VALLER
    BARQUEIRO # 3 : VANDERLEI BRITZKE
    SOLDADO : LINDOMAR PORTES
    FLACO : EDISON ZIOTTO
    CHICÃO : JOSÉ DOMINGOS SILVA
    CAPITÃO EL DIABO LOIRO : ALBERTO JOREZ
    PISTOLEIRO : MARCOS "ÁGUIA" CRUZ
    BENEDITO MODESTO : ÉLCIO DOMINGOS
    ÍNDIA CAIGANGUE : MARIA LUCIA DOS SANTOS
    JORJÃO : ASSIS RICARDO
    HOMEM MULATO : CLEITON COSTA
    FRANCISCO NATEL : NELSON MORAES
    MARIA : NADIR MARTINELLO
    TONHO (menino) : ANDERSON PAÍSCA
    TONHO (adulto) : EDVALDO
    AMBROZIO : NETO
    ALÍPIO : GILBERTO FERREIRA
    LAURA (menina) : VIVIAN DOMINGOS
    LAURA (adulta) : SUZANA PILON
    ANTÔNIO POLACO : WANDERLEI DE BAIRRO
    VITÓRIA : ELIZANGELA SILVESTRE
    CRIANÇA # 1 : TALLYSSA SIRINO
    CRIANÇA # 2 : VINÍCIUS
    TICO : ALAN ROGERIO
    RAFAEL : RAFAEL SILVA
    ANA : REGIANE COLERAUS
    POLACA GRÁVIDA : JULIANA DOTTO
    EGÍDIO : ADILSON
    JACOB MUNHAC : MARCIO JOSÉ BAUER
    CASAL ASSASSINADO :

    PISTOLEIRO PINTADO : TALÍCIO SIRINO
    JUIZ DA ELEIÇÃO : IVAN LUIZ
    SAMUEL BERNARDES : FRANCIMAR ALVES MÜLLER
    MENINO PINTADO : PEDRO RAUCHBACH
    GIOVANI : AMIR KALIL
    LAURINHO : KENNY CROSS
    GAUDÊNCIO : NELSON JOSEFFI
    JOÃO BRANCO : LUIS GONZAGA
    VALENTIN : EDDY SILVA
    MARGARIDA : BIOLANGE MARAVILHA
    DIVINO : FRANCISCO PORTELA
    HOLGA : SIRLEY OLIVEIRA
    OTHON MADER : TADEU WOJCIECHOWSKI
    ANGELICA : ESTER LIRA
    BERENICE : SALETE MACHADO
    GERTRUDES : VANESSA GIRARDI
    ZÉ CAPETA : LUIZ CARLOS CASTELHANO
    MADALENA : LOIZE BERGER
    MODESTO : MANUEL FABRÍCIO
    EUVIRA :PATRÍCIA
    TENENTE JOÃO CABANAS : NEURI MOSSMANN
    TENENTES:

    ORTEGA : WALMOR REMI VALER MIKILITA
    GERVÁSIO : SERGIO
    IVO PEDRO ROSSI
    LÚCIA ROSSI
    ALEXANDRE ZORNITA ROSSI
    HUMBERTO DANIEL ROSSI
    LUCIANE ZORNITA ROSSI
    OLY RAUCHBACH
    ANILTON CACHONE
    ANILTON CACHONE JR.
    ANGECLEM CACHONE PISSINATI
    CONCEIÇÃO PISSINATI CACHONE
    SUELY NONESWENDT
    FRANCIELLY WENDT STOCKER
    KELLY WENDT STOCKER
    SAMANTA WENDT
    MIRIAM NAZARI
    MIGUELITO REGIS CARGNIN
    REGINA
    VIVIANE BORDIN
    MARCELA AP. LEITE
    ELISABETE SILVÉRIO
    LUCAS SILVÉRIO WEBBER
    RUBERVAL SANTANA
    ADELAR FIGUEIROL
    GILMAR CASAGRANDE
    SANDRA DA ROCHA
    KELLY BLODOW
    SAMANTA MAIARA
    ABRÃAO SOUZA
    JENECI DOS SANTOS
    RAFAEL JACKSON
    ANTÔNIO CESAR FERREIRA
    SEBASTIÃO VENÂNCIO
    JESUS AP. TEODORO
    LUIZ CARLOS PRESTES
    ARLINDO JORGE DO PRADO
    MARCELO JUNIOR
    EVANDRO CULBA
    ERNI DOS SANTOS
    GENILSONN SANTOS
    ELIANE SILVIA QUADROS
    ATHENA MASCARENHAS DA CUNHA
    GEDI MASCARENHAS DA CUNHA
    GIOLANA MASCARENHAS DA CUNHA
    MOISES CAMPOS
    AIRTON SILVA
    CELINA SERENISKI
    AMANDA SERENISKI
    CERLI WENDT
    MARCOS "ÁGUIA" CRUZ
    ODAIR JOSÉ TEIXEIRA
    SIDNEY VIDAL TEIXEIRA
    VALDECIR DUARTE
    LUCAS MATO
    MARCELO BILIBIO
    GUALTER LACERDA DA SILVA
    EVERTON CARLOS AMARO
    TIAGO CÂNDIDO DAS CHAGAS
    CLEVERTON KIELL DOS SANTOS
    JULIANO SIRTOLE
    ANTÔNIO ANTUNES
    TIÃOZINHO
    ILDOMAR SOUZA NOVAES
    ROBERTO CARLOS DA SILVA
    CRISTIANE VALÉRIA DA SILVA
    DENISE MUNUEIRA FREITAS
    LUCIANE LEITE
    CLÁUDIA DAIANE REINKE
    ALMERINDA GIRARDI
    CAROLINA CADINE
    CRISTIANE CASAGRANDE
    ROBERTO MELO MILANEZE
    OLINTO SIRTOLE
    JESSICA FERNANDA AMARO
    FRANCIELLE AP. DOS SANTOS
    SOLANGE FÁTIMA KIELL AMARO
    ARISTIDES EVANGELISTA ROCHA
    HARI OSMAR KRIGER
    ZEFERINO LIMA
    CARLOS EDUARDO CARDOSO
    SUELI LEITE
    MARCELA LEITE
    PRISCILA ROSSI
    SORAIA RUSCHEWEYH
    ALZÉRIO DA SILVA
    RAFAEL DA SILVA
    CLEONICE DOS SANTOS
    NADIR "TIAZINHA" MARTINELLO
    DIRCÉIA CRISTINA MARTINELLO
    ANGELITA COUSS
    LINO SILVÉRIO
    MARIANA CARPES
    ANDRÉ
    JULIANA
    EDVANDERSON CORDEIRO
    MARIA OLINDINA
    CRISTIANE INÁCIO
    JESSICA DA SILVEIRA
    OBERDÃ
    FRANCKILIN MARTINS
    MICHEL DE SOUZA
    JULIO CESAR DA SILVA
    JULIO CESAR DA SILVA
    ROSELI DA SILVA
    VINÍCIOS DE MORAES
    ARI CONRADO
    GILSON SOARES
    RENATA MARIANA DE ALMEIDA
    LAERCIO TRINQUE
    HIRONDI LUIZ PEREIRA
    VANDERLEI LUIZ DE OLIVEIRA
    DILBERTO MARLON WEGRNEN (comissione)
    MARCELO HEIDRICH (comissione)
    AMARILDO DOS SANTOS DULTRA
    WAGNER RODRIGUES DE OLIVEIRA
    ROBERTO CARLOS DA SILVA
    CIRO DORNELLES
    CLAUDIA DE VILLA
    IVONETE
    STEFANO
    PAULO ROGÉRIO TASCA
    PAMELA LARISSA DE VILLA
    JAQUELINE PIZZE
    ALCEBÍADES BRIZOLA
    LUIZ CARLOS PROVIN
    ALEX SANDRO PORTES
    ANTÔNIO NICOLODELLE
    MAIKO BRIZOLA
    ONÓRIO PÍCOLLI
    VALDECIR MEDINA
    GRAYCIELLY RAMON
    JOYCE CRISTINA LARA
    ELLEN CAROLINE CHRUN
    CLEVERSON DOS SANTOS
    GIOVANNI LARA
    JONATHAN GIRARDI DE LIMA
    FERNANDO DIORGINIS RAMON
    LEANE BURKHARD
    RENATA FERREIRA
    ADRIANA

     

  • OBS: Os dados referentes a este trabalho são resultado de pesquisa direta de outras publicações de jornais e da INTERNET. Assim, apenas é uma coletânea de informações e não uma produção de informações.

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